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Lançamento para breve do Manifesto doutrinário e explorativo para o estudo do clarinete

Por: Manuel Augusto da Silva Carvalho

Site: www.manuelcarvalho.net  (podem reservar já através do contacto de email aqui no site)

 

 

Manifesto doutrinário e explorativo para o estudo do Clarinete

 

Este trabalho pretende ser uma base de informação credível e responsável, que preencha o vazio da inexistência de um manual escrito em português que contenha a informação que os clarinetistas precisam e procuram durante todo o seu percurso académico, incluindo o ensino superior, músicos profissionais e a todas as pessoas que procurem deste tipo de informação tão específica, porque apesar de haverem fontes disponíveis para consulta em livros estrangeiros, ou na internet, é um facto que em português não existe informação de referência de origem académica, devidamente revista, que ofereça credibilidade, não tenha quaisquer pretensões comerciais, ou que defenda interesses laterais que podem não ser totalmente desinteressados e independentes e que permita ser consultada por alunos e professores, bem como por quaisquer estudiosos interessados.

 

Por outro lado, a informação existente na internet apresenta-se, na maior parte das vezes, incompleta, dispersa, pouco credível ou rodeada de poesia e mística, expondo afirmações pouco ou nada académicas que confundem e atrapalham os mais desprevenidos. Também os poucos livros que existem, sendo estrangeiros, são caros e difíceis de adquirir, além de estarem redigidos em idiomas não dominados por estudantes, por vezes ainda nos primeiros patamares da sua formação académica e musical. De referir, também, a existência real de adolescentes e adultos que não dominam determinadas línguas estrangeiras, devido por exemplo, a que estas não tenham sido incluídas nos seus currículos escolares. Por outro lado, é de referir que o escalão etário do aspirante a clarinetista é, por vezes, condição primeira para a ausência de estruturas de conhecimento que lhes permitam filtrar os conteúdos oferecidos, transformando um esforço de pesquisa num acto inglório e totalmente inútil.

 

É um facto conhecido, o da existência de alunos com material de trabalho, como a boquilha e palheta, abraçadeira, o instrumento em si, a campânula, etc., escolhidos e comprados em função de factores que não levam em conta se são os mais apropriados para o(a) instrumentista, se impedem ou permitem o correcto progresso e se poderão causar ou significar um facto de frustração e crescente desmotivação, com o consequente abandono do estudo deste instrumento. Não sendo suficientemente abordados no ensino, por não fazerem parte dos conteúdos programáticos, alguns dos assuntos que aqui procuramos falar acabam por passar despercebidos como se não existissem ou não tivessem importância. Este trabalho servirá também para o anunciar de questões relacionando-as com a sua importância no percurso de aprendizagem e conhecimento do clarinete. Uma consulta à internet pode oferecer respostas, algumas úteis, outras inúteis. A mística de quem gosta do clarinete, gosta de escrever ou simplesmente quis deixar a sua opinião escrita, vista à luz do conhecimento científico da acústica e dos materiais como a madeira, cana, etc., é, muitas das vezes, um sinónimo do expressar de opiniões totalmente erradas ou contendo meias verdades, o que obriga, no mínimo, à existência de estruturas de pensamento e de conhecimento que permitam discernir a validade das afirmações.

 

Os clarinetes elevam o seu som e timbre, sempre em função do músico que, encarando-o como ferramenta, deverá ter a noção de ter em mãos uma máquina que sempre em transformação, alberga em si mistérios explicáveis e que na sua compreensão e conhecimento se escondem muitos dos segredos para o sucesso do clarinetista, fazendo, assim, mais felizes os integrantes do trio constituído pelo compositor, pelo intérprete e pelos ouvintes.

Pensamos que a existência deste documento, irá constituir-se como ferramenta útil e prática, se conseguir responder eficientemente às perguntas e respostas que acontecem entre o professor(a) e o aluno(a) num cantinho do tempo da aula. Sem respostas vagas, os pormenores que se julguem dignos de ser mais e melhor esclarecidos, podem partir de premissas credíveis em que outras fontes se podem complementar. A internet, que parece ter tudo, não poderá informar sem um filtro ditado e balizado pelas estruturas aqui apresentadas e oferecidas.

 

Julgamos que este trabalho fornece as estruturas primeiras para o aprofundar dos conhecimentos e lança o repto sobre questões por vezes postas em lugares secundários do conhecimento e que no entanto são importantíssimas por constituírem pilares do desenvolvimento e progresso equilibrados do estudante de clarinete. Os escalões etários dos alunos, bem como a ideia de que será melhor comprar por este ou aquele preço o material de trabalho, investindo o mínimo, sendo essa a única preocupação, receando-se a desistência da criança e a perca do investimento, é uma infeliz realidade. Devido a questões financeiras, alguns pais relevam, por vezes, a escolha dos materiais, clarinete e afins, para um campo em que a estética do mais bonito, e especialmente o preço, são os únicos paradigmas a seguir. Esperamos que após consulta deste trabalho, os filhos e os pais, consigam realmente poupar no que investem em palhetas ou abraçadeiras caras, estojos bonitos e outros consumíveis relacionados com o instrumento, podendo dirigir os seus esforços para questões como o clarinete certo, boquilha ideal, palheta aconselhável, etc., não fazendo e gastando mais do que o necessário e dotando o estudante, logo à partida, de material de trabalho e estudo suficientemente apto e apropriado, que lhe possibilite a necessária adaptação, progresso e crescente motivação.

 

O “Manifesto doutrinário e explicativo para o estudo do Clarinete”, é estruturado em quatro capítulos.

 

No 1º Capítulo é apresentado e abordado o aparecimento do clarinete. Assim, cremos que a invenção do clarinete é entendida no seu essencial, possibilitando a compreensão da necessidade de se conhecerem as características técnicas que figuram no 2º Capítulo, onde os diversos componentes do instrumento, sejam eles relacionados com o instrumento, com partes que o constituem, ou com o instrumentista, são apresentados e apreciados à luz das respostas para as dúvidas mais frequentemente sentidas no universo de quem estuda e trabalha com o clarinete.

A construção e características técnicas do clarinete, assunto exposto no 2º Capítulo, pretende abordar o clarinete tal como o conhecemos hoje, expondo as suas características gerais e cada uma das suas partes constituintes para que da compreensão destas seja possível a assunção do material adequado para cada estudante, em função da sua individualidade, rentabilizando assim a sua aprendizagem e performance.

A acústica relacionada com o clarinete, assunto do 3º Capítulo, é bem-vinda à luz do conhecimento que todo o(a) clarinetista deve ter do seu instrumento. Apesar da disciplina de Acústica ser ministrada nas escolas, pensamos que há questões muito singulares e específicas que ao serem expressas neste trabalho servirão para clarificar comportamentos do clarinete, orientar para o conhecimento de digitações alternativas, bem como servir de trampolim para o aprofundamento de um caso ou outro que desperte a curiosidade ou a necessidade de resolução da uma performance que assim o obrigue. Para isso, os conhecimentos acústicos relacionados com o clarinete são indispensáveis, sob pena de multifónicos, passagens mecânicas muito difíceis e rápidas, determinados efeitos dinâmicos, articulações especiais, etc., expressas graficamente pelos compositores actuais, serem causadoras de desmotivação ou reservas quanto à abordagem desse tipo de escrita musical. O facto do clarinete ser um instrumento transpositor e fazer soar à duodécima as suas fundamentais, exige a compreensão deste fenómeno, bem como do porquê de umas notas soarem mais densas ou escuras, ou com intonação mais pobre de harmónicos em algumas notas, ou os registos precisarem de ser trabalhados no sentido de os igualar e equilibrar. Após o conhecimento do comportamento acústico do seu instrumento, o(a) clarinetista pode escolher a sua boquilha para soar melhor, para tocar mais afinado, bem como a sua palheta para a fazer vibrar numa sala cheia de público e quente, ou ainda numa sala sujeita a um elevado grau higrométrico.

Seja qual for o tipo de repertório utilizado no seu percurso académico, ou posteriormente, são indispensáveis conhecimentos acústicos tanto para a abordagem performativa, como para a compreensão e despiste de surpresas desagradáveis na hora de se apresentar em palco, quando o clarinetista depara com uma palheta antes muito boa e que ali não funciona, ou a afinação que está diferente, o diapasão subiu ou desceu, etc. Todas as variantes boas ou más e que alteram o material e os resultados performativos, podem ser calculados, evitados ou resolvidos com o conhecimento de alguns princípios acústicos e expostos no 3º Capítulo.

No 4º Capítulo, para servir de ajuda no trabalho diário, expusemos princípios que acreditamos serem importantes para a aprendizagem e estudo do clarinete. Como instrumento de sopro, é muitíssimo importante toda a temática relacionada com a respiração e o fluxo de ar enviado através da boquilha e palheta para o interior do clarinete, ou a postura, colocação e emissão das primeiras notas, condições naturais do instrumentista, grafismos e notação contemporâneos, etc. Assim, num esforço inspirado nas exigências e orientações dos conteúdos programáticos do ensino do clarinete, com especial atenção nas necessidades de conhecimento que um estudante e posterior clarinetista precisam de esclarecer para poder progredir de forma fluida e eficiente, seja na música contemporânea ao surgimento do clarinete, ou na do nosso tempo, em que todos os recursos possíveis e imaginários são chamados a se manifestarem, expomos algumas notas, organizadas de forma a serem úteis, tanto ao clarinetista iniciante como ao mais avançado e com pretensões de abordar obras expressas com grafismos e notação contemporânea.

 

O autor está consciente de que seria impossível oferecer-se, neste ou noutro trabalho, todas as respostas, numa tentativa utópica de deter toda a verdade do conhecimento. Assim, às respostas ausentes, este trabalho permite vislumbrar e usufruir da capacidade de estar aberto a todas as perguntas, através do enunciar de princípios que revelando a sua existência, poderão servir de embrião para estudos mais aprofundados. O presente trabalho, embora pretendendo ser o mais útil possível, é assumidamente um projecto não definitivo, apesar de se basear na aprendizagem e experiência, bem como em opiniões honestamente expostas e fruto de trabalho, pesquisa e de cerca de 40 anos de experiência do autor como clarinetista e metade desse tempo como professor do instrumento. As respostas aqui encontradas, se não suficientemente esclarecedoras, poderão servir, a título de trampolim, para um estudo mais aprofundado, sempre alicerçadas por premissas objectivas, claras e desprovidas de segundas intenções. Algumas das afirmações expressas no presente trabalho são ideias e convicções próprias sobre esta temática e, como é óbvio, poderão ser discutíveis, o que é positivo por levar à reflexão em torno do clarinete, incitando ao aprofundar de qualquer um dos assuntos focados, constituindo-se assim como um embrião que poderá despertar a curiosidade em se saber mais.

 

A divisão por capítulos e subcapítulos deste documento expõe os assuntos de forma a serem facilmente encontrados. Pensamos que a sua leitura permitirá a projecção dos diversos níveis de conhecimento que o(a) leitor(a) poderá ter, no sentido de entender os princípios básicos que lhe permitirão aceder a demais literaturas, sem perder o fio condutor, nem cair em equívocos. A informação aqui expressa, pretende dotar o(a) estudante de clarinete de ferramentas e de uma linha ou fio condutor, claro e inequívoco, apesar de ter em conta a liberdade da existência da pluralidade de opiniões ou ausência de consenso, no que diz respeito a alguns dos assuntos apresentados.

 

Deste modo, pensamos que a taxonomia e nomenclatura do clarinete, no que diz respeito à hierarquização e denominação de perguntas e respostas, deverá oferecer preliminarmente, isto é, desde o início, os rumos e premissas certas para a abordagem da escolha do material de estudo e trabalho, no sentido de alguns dos exemplos expressos serem exequíveis, para o que cremos, de muito servirão todas as indicações oferecidas nos vários capítulos, sejam elas de índole acústica, mecânica, ou fruto de experiência e trabalho do autor, durante quase toda a sua vida, desde criança, e que pretende preencher de respostas as mesmas perguntas que fez e que ainda lhe são feitas pelos seus actuais alunos e alunas.

 

Reiteramos a importância da existência de uma consciência para a individualidade segundo as características de cada um, de forma a assegurar o acesso dos estudantes ao material que melhor sirva os seus interesses, qualidades e características próprias. Assim, é mister a este trabalho, oferecer orientações e esclarecimentos de forma a possibilitar e a despertar para este tipo de problemática; que sejam tidos em conta aspectos relacionados com as matérias primas dos materiais, formatos, respostas sonoras e acústicas, ergonomia, tamanhos, pesos, etc., bem como desmistificar e libertar de preconceitos e falsas poesias que quando existem, atrapalham e subjectivam o que se quer claro e objectivo. Manifestamos a consciência da necessidade de se experimentar a partir das premissas que apresentamos, por pensarmos que servirão aos estudantes de clarinete como trampolim capaz de projectar os mais interessados e curiosos em investigações das quais sairão a ganhar, devido ao ampliar dos seus horizontes, tendo a coragem de assumir a diferença e fugir de seguidismos robotizados de clarinetistas todos diferentes com materiais iguais e que acabam por dificultar e divergir na solução de aproximação de níveis de progresso, envolvendo cada um dos estudantes num rótulo e destino, em que se caminha e progride em sentido contrário ao que se devia e quer, utilizando o mesmo material dos professores, amigos ou conhecidos, não conseguindo tirar proveito de igual forma e dificultando o progresso, caindo em conclusões erradas de destino, falta de trabalho e de jeito, de talento, etc., com a consequente desmotivação e desistência, por vezes relacionada com outras explicações bem inocentes.

 

 

Em função dos objectivos propostos e a intenção expressa neste nosso trabalho, esperamos ter conseguido atingir esses mesmos objectivos e que o documento ora proposto possa servir de ferramenta de estudo e de trabalho aos estudantes deste instrumento, permitindo-lhes adquirir as capacidades não só técnicas, mas também reflexivas, autorizando-os a tomar decisões práticas e performativas, assertivas e delineadoras de uma personalidade criativa e musical. Para isso, brevemente teremos a edição concluída e disponível do à muito esperado e desejado: “Manifesto doutrinário e explorativo para o estudo do Clarinete”.